Já que é pra tombar, vamos ser humanas!

Já que é pra tombar, vamos ser humanas!

Karol Conká saiu, e agora devemos mostrar que realmente somos contra o que ela faz.

Não precisa assistir ao Big Brother Brasil para saber que todo mundo estava votando para a Karol Conká, rapper participante do programa, sair do reality com recorde de votações, né?

O comportamento dela foi muito criticado e visto como cruel: ela julgou muitas pessoas, criou histórias que não existiam e tocou o terror psicológico em cima de muita gente. Porém, não estou aqui hoje para julgar suas atitudes ou dizer o que ela fez de certo ou de errado. Vim pra trazer uma outra visão sobre o tema: uma visão de como os sentimentos que criamos sobre a participante falam mais sobre nós mesmas do que sobre ela.

Depois de toda a reflexão, voltamos para a saída da Karol: enquanto ela “cancelava” todo mundo na casa, ela foi “cancelada” aqui fora.

Quero começar te convidando a pensar o quanto o que acontece lá no BBB é reproduzido diariamente aqui fora, e muitas vezes podemos ter agido igual a todos aqueles que criticamos dentro do programa, inclusive a própria Karol.

Pensa comigo: os participantes que estão lá dentro não estão vendo tudo de fora como nós. Eles entraram conhecendo um pouco (ou quase nada) de cada pessoa e com uma imagem que a maioria de nós tinha até então sobre eles. Karol Conka, por exemplo, era uma das quais o público tinha mais expectativas, e lá dentro todos tinham a mesma sensação.

Vale ressaltar que todos estão trancados na casa e aquilo que vivem é a realidade atual deles. Isso torna tudo muito mais complexo, fazendo com que eles sintam tudo numa proporção muito maior do que sentiriam aqui fora.

Foi aí que o jogo (virou) tombou, não é mesmo?

Quando o jogo começou todos nós tínhamos expectativas de quem seria bom ou mau – e desde então amamos e odiamos diversas vezes a mesma pessoa por motivos diferentes.

Hoje Karol Conká virou a maior decepção do jogo e criticamos TUDO que ela faz. Porém algumas das falas ou atitudes poderiam ser totalmente aceitas se já não a tivéssemos “cancelado”, isso porque a nossa tolerância pelo outro é muito baseada no nosso afeto por ele.

Com isso quero dizer que, se torcêssemos pela Karol, elogiaríamos algumas de suas falas pelo fato de gostarmos dela e, por isso, aceitaríamos mais coisas, tornando-a uma jogadora “lacradora” e não “cancelada”.

O mesmo acontece com as pessoas que estão junto com a Karol: muito se fala sobre estarem sendo influenciadas ou que estão mostrando quem são de verdade. Mas em todo esse processo esquecem que só nós, que estamos de fora, temos a visão de tudo que está rolando lá dentro.

Algumas das pessoas no jogo ainda tem a mesma visão que nós tínhamos quando ele começou, outras já perceberam o quanto tudo aquilo está errado e estão encontrando outros caminhos, houve pessoas que só entenderam o quanto ela estava errada quando viraram o alvo… Percebe? Cada um entendendo no seu tempo e vivência!

Trazendo isso para nossas vidas, vale notar que quando estamos inseridos em uma questão nós não temos a visão do todo, o que pode nos colocar em posições que moldam nosso comportamento: se eu acredito no que me é mostrado e não ouço o outro lado, pode ser que eu esteja fazendo parte do problema, achando que sou a solução.

Tá aí o porquê de algumas vezes ouvir alguém que está por fora de tudo costuma ajudar. Pode ser que você já tenha vivenciado isso, não? Pensa aí: Quantas vezes você julgou alguém por ouvir o que falaram dela? Não gostou de alguém apenas por que uma amiga sua não gosta e daí você ignorou ou tratou mal essa pessoa?

Tá certo isso, produção?

Depois de toda a reflexão, voltamos para a saída da Karol: enquanto ela “cancelava” todo mundo na casa, ela foi “cancelada” aqui fora. Ela e outros participantes do programa receberam ameaças à família, palavras de ódio… e aí mostramos que estamos pagando “com a mesma moeda”, fazendo exatamente o que a julgamos por fazer.

Já percebeu como voltamos para a idade média, mas substituímos as tochas por teclado e contas em redes sociais e as máscaras por perfis fake? Pois é, a internet não diminui o problema em fazer isso só porque não estamos cara a cara com o alvo. Diariamente as pessoas são ridicularizadas, expostas, criticadas duramente (sendo famosas ou não), como se fosse normal e certo.

O que a Karol fez é errado e a punição é a saída do jogo, ponto! Dali pra fora, não cabe a ninguém julgá-la por suas atitudes, afinal nada apaga o que ela fez lá dentro, mas nada também apaga o que ela fez e representou antes de entrar no BBB: ela foi referência para muitas mulheres, levantou bandeiras importantes e ajudou a construir coisas boas. Independente do programa, ela ajudou muitas pessoas a se empoderarem e encontrarem seu lugar no mundo e não podemos apagar isso também.

Ninguém é 100% bom ou mau

Essa dualidade não funciona na vida real, temos um pouco de cada lado e precisamos saber reconhecer nossa luz e sombra para poder lidarmos melhor com elas. Mas não se iluda: mesmo conhecendo nossas sombras ainda assim erraremos e tá tudo bem, faz parte. O que vale é reconhecer isso e tentar mudar.

No fim, a mensagem é simples: se Karol Conká te deixa tão incomodada, não haja como ela. Entenda que após o jogo ela terá que lidar com muita coisa difícil e não precisamos piorar ainda mais esse momento para ela. Nosso papel como juízas acaba no paredão, depois disso apenas sejamos humanas.

Você já se viu como a Karol Conká? Já conheceu alguém assim?

Então, conta pra mim nos comentários como foi isso para você e vamos juntas trocar essas experiências.

Psicologa Debora Barros

Debora Barros

Psicóloga
Apoiando a transformação da sua autoimagem e melhora da sua autoestima.
11 93300-9142

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