Estado civil não nos define

Estado civil não nos define

Nós não somos nosso estado civil e isso não pode nos definir.

Segundo o IBGE, os brasileiros têm se casado menos e se divorciado mais rápido. Outros dados apontados pelo IBGE mostram que, a cada ano, os casamentos duram menos. Em 2018, a média de duração da união era de 17,6 anos. Em 2019, essa média caiu para 13,8 anos e vem caindo segundos as pesquisas.

Mas vale lembrar, portanto, que as famílias não deixam de existir. Os relacionamentos conjugais também não, mas com outro formato e com outros vínculos. Esses são números reais e atuais. Então por que ainda muita gente se espanta em não te ver em um casamento tradicional ou estar curtindo a vida solo?

Tenho a sensação de que as pessoas tentam diminuir as mulheres que estão em um momento solo, como se não pudéssemos ser felizes nesse momento.

Em contrapartida, não podemos criar um estereótipo para as mulheres que estão vivendo acompanhadas, que estejam totalmente realizadas e ainda dizer que elas não têm o direito de reclamar, pois tem um marido lindo ou tem um ótimo pai para os filhos. Gente isso está muito ultrapassado, é como catalogar as pessoas.

O nosso estado civil não define a nossa inteligência, o nosso desempenho na profissão e muito menos a nossa felicidade. Quer você queira ou não, nos apresentamos para o mundo sozinhos e vamos nos despedir sozinhos.

Ser solteira ou estar em um relacionamento é apenas parte de nossas vidas e não o todo. Alerta real!

Mas estou aqui para falar da cobrança que a mulher contemporânea recebe constantemente por estar solteira, pois infelizmente vivemos em um contexto machista.

Quem nunca ouviu aquelas clássicas:

  • Quando você menos imaginar vai aparecer alguém!
  • Vai lá que tem uns caras lindos!
  • Você é tão bonita e está sozinha?
  • Vi você numa foto, você realmente estava sozinha naquele lugar?
  • Ah, mas você assusta os caras!
  • Você deve ser muito exigente!
  • Mas também quem te aguenta!

E o pior que a maior parte dessas cobranças vem das próprias mulheres e muitas que de alguma forma se socializam com você. Como se fosse proibitivo estar numa vibe diferente da dela. Experimentando outras coisas. Tentam te colocar no catálogo das carentes, coitadas e afoitas para um par.

E a neura não pára por aí. Um exemplo é que quando vamos em um clube sozinha ou na piscina do condomínio, em uma viagem, aniversários, viramos um alarme de perigo. (LÁ VEM ELA, e rola um leve apertão na mão do companheiro). Parece surreal mas acontece, não só comigo. Muitas das minhas amigas solteiras relatam sobre isso e outras tristes experiências. A ideia aqui não é nos dividirmos, muito pelo contrário, é convidar você para um outro olhar e nos tornar cada vez mais conscientes de nossas falas e comportamentos.

Precisamos humanizar a solitude da mesma maneira que humanizamos a parceria.

Continuando, é como se estivéssemos caçando uma paquera, sem critérios, desrespeitando até a relação com o próximo e a todo momento buscando um par. E isso chega a ser muito constrangedor para quem recebe esse olhar ou um infeliz comentário, mesmo que ainda seja em tom de brincadeira.

Não estou dizendo que não saímos para paquerar ou temos aquele crush. A problemática aqui, é que muitas pessoas não suportam a ideia de uma mulher decidir estar só e que está tudo bem, que ela não está a todo momento pensando em um homem, muito pelo contrário. Nós mulheres contemporâneas estamos em busca do autoconhecimento, realizar-se na profissão, cuidar da saúde, curtir a galera, em pagar nossas contas, na próxima viagem e uma lista de coisas que variam na particularidade e anseios de cada uma de nós.

O grande alerta que disparo aqui: vamos viver e deixar que as pessoas vivam e não ser aquela pessoa que aponta o dedo para a outra como se estivesse cometendo um crime. É como se estar solteira e feliz fosse uma ofensa, bem diferente dos homens que não recebem esse tipo de cobrança. Pelos menos a grande maioria não.

Se for a sua vontade somar a sua vida com alguém, permita-se sentir esse desejo, porque está na hora de descontruir esses preconceitos e empoderar todos os sentimentos, inclusive o de falta. Só que isso tem que partir apenas de você, certo?

Precisamos humanizar a solitude da mesma maneira que humanizamos a parceria. E parar de interpretar o outro a partir da nossa própria lógica. E se você leu até aqui e tem esse olhar para as suas colegas solteiras ou você está solteira e tem o desejo de namorar, continue. O desejo de se apaixonar por alguém não exclui a felicidade de estar só. Seja dona do seu querer. Aproveite o processo.

Outro exemplo comum que acontece frequentemente, é quando vamos em um restaurante sozinha, a cada 15 minutos volta um garçom para confirmar se realmente não estamos esperando mais alguém, parece que estamos fazendo algo extraordinário.

E vamos fazer uma reflexão sobre o comportamento que estamos tendo com os outros e com a gente mesmo?

Finalizo aqui dizendo: relacionamento deve ser uma escolha e não uma necessidade, seja coerente com a sua verdade e usufrua o melhor dela. E não permita que ninguém, além de você mesma, interfira no seu passeio chamado vida.

Um beijo,
Laine

Laine Ventura

Fundadora do Prateleira de Mulher, Master Coach de vida
instagram.com/laineventura

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01 Comentário

  1. Debora Barros
    1 mês atrás

    Sensacional!
    A solitude é importantissima, sem ela nos perdemos em relacionamentos e cobranças externas.

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