Setembro amarelo e a nossa responsabilidade afetiva

Setembro amarelo e a nossa responsabilidade afetiva

Hoje achei interessante trazer para vocês uma perspectiva diferente sobre o Setembro Amarelo. Como o blog tem o intuito de dar voz a mulheres e empoderá-las, acho que nada mais justo do que ajudar também na reflexão como afetamos o outro. Para começar vou explicar esse tal de setembro amarelo.

O que é

Em 2014 iniciou-se no Brasil a campanha Setembro Amarelo, idealizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM.

Durante todo o ano esse tema é tratado por essas instituições, mas em setembro ganha mais destaque, pois nesse mês é comemorado oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Assim como todas as campanhas desse tipo, todo ano é definido um tema. Em 2020 o tema escolhido foi: É preciso agir! Precisamos agir para reduzir os números de casos no país, que tem cerca de 12 mil suicídios por ano, fazendo com que o Brasil seja o oitavo país no ranking mundial em número absoluto de suicídio – isso porque não temos contas tão exatas em razão de casos de subnotificação.

Segundo o site oficial da campanha, cerca de 50 a 60% das pessoas que morreram por suicídio não se consultaram com um profissional da saúde, o que é muito sério, pois buscar psicólogos e psiquiatras nesse momento é de suma importância para o tratamento, principalmente porque muitos casos são relacionados a transtornos psiquiátricos como dependência ou abuso de drogas e álcool, bipolaridade e esquizofrenia. Além disso, o cuidado de um profissional de saúde pode facilitar quem está em sofrimento a achar outras opções.

Existem diversos tabus sobre o tema, o que faz com que as pessoas não entendam e tenham pré-conceitos que os afastam da realidade. No meu Instagram aprofundei um pouco nesse assunto, ajudando a entender o que é, como ajudar e o que NÃO fazer (acredite, essa parte é muito importante!). Você encontra também bastante informações no site oficial da campanha (https://www.setembroamarelo.com/) – vale pena conferir.

setembro amarelo combate ao suicidio

E como a responsabilidade afetiva entra nisso?

Responsabilidade Afetiva é o ato de tratar com empatia e respeito os sentimentos do outro, seja esse um parceiro amoroso ou não. Quando falo de empatia, quero deixar claro que sei que não é fácil se colocar no lugar do outro e nem é essa a intenção, porque você não tem a vivência daquela pessoa para poder entender mesmo o que ela está passando. Falo de ouvir o outro e acolher, mesmo sem conseguir entender o que ele sente, sem julgamento ou opiniões formadas (eu sei, é difícil).

Todos nós formamos opiniões sobre tudo que nos é apresentado. A questão é: será que precisamos mesmo expressar elas sem filtro nenhum? Não sabemos pelo que o outro está passando e, muitas vezes, o outro não quer explicar ou expor – talvez ele nem consiga. Daí chegamos cheias de opinião, de ideias e palpites do que o outro deve fazer e mal sabemos o quanto estamos “afundando” mais ao invés de ajudar.

Isso vale também para pessoas que seguimos nas redes sociais e não conhecemos. Isso porque a internet tem esse poder de nos afastar e aproximar em proporções que ainda não nos acostumamos bem, daí estou super próxima daquela blogueira que adoro ao mesmo tempo que não estou sendo vista pessoalmente. Então, eu sinto que posso dizer QUALQUER coisa lá nos comentários e esqueço que quem vai ler tudo é um ser humano que tem sentimentos e não tem obrigação de passar por isso.

Imagina você abrindo seu Instagram e ler comentários como:

Olha amiga, essa é aquela menina que foi traída!

Você deveria emagrecer, pro seu próprio bem.

Como você tem coragem de sair assim na rua?

Você deveria cuidar melhor dos seus filhos, não acho que isso seja o jeito certo.

Essas agressões disfarçadas de opinião afetam as pessoas e é importante pensar se realmente precisam ser ditas. Antes de escrever algo para alguém reflita:

  • Você gostaria de ouvir o que você vai comentar?
  • Você acha que realmente aquilo pode fazer bem? 
  • Será que a pessoa não está sensibilizada por diversos fatores da vida dela e ler isso vai deixá-la mais abalada?

Essa é a nossa responsabilidade afetiva, entender que cada um está travando suas batalhas e que, se não podemos contribuir com demonstrações positivas de afeto, é melhor nos calarmos, pois assim não atrapalhamos o processo do outro.

Valorizar a vida é também ter cuidado com o que fazemos com a vida do outro.

E aí, isso fez sentido para você? Já passou por algo parecido? Comenta com a gente por aqui!

debora barros psicóloga

Debora Barros

Psicóloga
Apoiando a transformação da sua autoimagem e melhora da sua autoestima.
11 93300-9142

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