Por que não falamos sobre dinheiro?

Por que não falamos sobre dinheiro?

Mais um ano que inicia e é hora de fazer aquele balanço geral, revendo erros e acertos, pois teremos mais 12 meses pela frente que significam também oportunidades para fazer diferente o que ainda não deu certo.

Como está sua saúde financeira? Defendo que saúde financeira significa também qualidade de vida.

Então, se precisa de dicas para se organizar financeiramente, acesse meus artigos publicados anteriormente aqui. Para este momento de início de ano indico ler “Dicas para iniciar o ano com saldo positivo e sonhar!

Além disso, te faço a seguinte pergunta: Você sabia que falar de dinheiro é considerado um dos maiores assuntos tabus do Brasil?

Sim, surpreendentemente falar de dinheiro é um dos maiores assuntos tabus do Brasil e eu descobri isto justamente quando recebi o convite para inaugurar esta coluna de finanças aqui no Prateleira de Mulher. Então, para escrever de maneira assertiva, que despertasse interesse e fosse útil, fui pesquisar os assuntos mais comentados pelas pessoas sobre dinheiro.

Nas rodas de conversas entre os amigos, quem tem muito dinheiro é considerado rico e tem vergonha disso e da mesma forma quem tem pouco dinheiro, é visto como pobre e tem vergonha de ser pobre também.

E foi aí que eu me deparei com o dado assustador que falar de dinheiro no Brasil é mais difícil do que falar sobre sexo, morte, religião e política. Ou seja, dinheiro é um dos maiores assuntos tabus do país, sendo que em algumas listas de tabus, ele aparece em primeiro lugar.

Pesquisando também os motivos que fazem com que o dinheiro seja considerado este bicho-papão, entendi que justamente pelo fato de ser um assunto tabu é que o dinheiro acaba virando um problema na vida da maioria das pessoas. Conversar sobre dinheiro é delicado. Não há o habito de falar a respeito na família, entre amigos ou entre os casais.

Entretanto, casais se divorciam por causa de dinheiro que, atualmente representa o segundo maior motivo de divórcio no Brasil, sendo inclusive a maior motivação de brigas entre os casais que, contudo, se divorciam mais por causa das traições.

As famílias brigam por causa de heranças, pessoas são assassinadas, outras cometem suicídio por causa de dívidas. Crimes bárbaros acontecem motivados por dinheiro e mesmo assim não falamos a respeito.

Nas rodas de conversas entre os amigos, quem tem muito dinheiro é considerado rico e tem vergonha disso e da mesma forma quem tem pouco dinheiro, é visto como pobre e tem vergonha de ser pobre também.

Quem tem pouco dinheiro pensa que economia e finanças são assuntos da elite e só faz planejamento financeiro quem tem muito dinheiro e além disto, não se identifica e tampouco vê possibilidade de seguir, por exemplo, umas das regras mais citadas em relação a planejamento financeiro que é destinar 20% do rendimento para investimentos.

De outro lado, quem tem mais dinheiro entende que não tem com que se preocupar e simplesmente vai vivendo de uma maneira descontrolada e desregrada sem se preocupar com o futuro. Enfim, com as devidas exceções, não importa o gênero, a profissão, a religião ou a classe social, falar sobre dinheiro é assunto considerado proibitivo, causador de constrangimentos e desconfortos.

A origem do tabu em relação ao dinheiro são as crenças limitantes que foram nos apresentadas ainda na infância. Aprendemos que dinheiro é sujo, não dá em árvore, não traz felicidade e assim por diante.

Ao poder das crenças limitantes sobre o dinheiro, somam-se a ausência de educação financeira formal na escola. Estes elementos fazem com que o Brasil seja considerado o país dos analfabetos financeiros, pois o número de pessoas adultas com conhecimento de economia e finanças é considerado baixíssimo.

Fale sobre dinheiro com seus filhos desde pequenos, de forma natural. Transmita a eles leveza, segurança e tranquilidade.

E isto ocorre, independentemente do grau de instrução. Há mestres e doutores renomados, pessoas que são referências em suas áreas de atuação, mas que não possuem conhecimento sobre o assunto e muito menos domínio sobre suas finanças.

É essencial saber que desfazer crenças e romper um tabu não é nada fácil, mas é que quando começamos a falar “sobre” que estamos decretando o início do fim de um tabu. Então, a dica é: comece a falar de dinheiro na roda de amigos, com sua família, com seus filhos e principalmente, no seu casamento.

Acrescente o assunto economia e dinheiro no happy hour com os amigos. Fale sobre o aumento dos preços, inflação, taxa Selic. Troque ideias sobre o melhor tipo de investimento e sobre os preços em geral. Por exemplo: Comente que você está poupando uma grana para as férias. Questione quem já foi ao mesmo lugar, os melhores e mais em conta lugares para se hospedar, para comer, passeios e etc.

Converse com os amigos e família sobre o programas de pontos dos cartões de crédito. Sobre alternativas para economizar no dia a dia e etc. Há cônjuges que não sabem o rendimento dos seus companheiros. Muitos casais, cuidam cada um de seu dinheiro, o que não é necessariamente errado, mas o fato de não possuir nenhum planejamento em comum esvazia o relacionamento. Falar sobre dinheiro entre os casais pode salvar muitos relacionamentos.

Se você está namorando e a relação está ficando séria, inclua a pauta financeira nos diálogos do casal. Qual o regime de comunhão de bens? Pretendem alugar ou comprar um imóvel? Como será a divisão das despesas? Quais são as despesas essenciais para cada um? Quais são os hobbies, os sonhos de vocês? Enfim, planejar o futuro financeiro juntos cria intimidade e faz parte de um casamento feliz e bem sucedido.

E se você tem filhos, significa que você tem a chance de construir um futuro melhor! Fale sobre dinheiro com seus filhos desde pequenos, de forma natural. Transmita a eles leveza, segurança e tranquilidade. Diga a eles, que você trabalha para conquistar algo e que para isto precisa do dinheiro. Dê a eles a visão de objetivos de curto, médio e longo prazos.

Não perpetue as crenças, repetindo a eles as que lhe foram passadas. Faça diferente. Transmita a seus filhos a ideia de que dinheiro é um meio e não um fim e que faz parte de nossa vida, independentemente de classe social.

Por fim, lembre-se: “O dinheiro faz parte de nossa vida e não o contrário” e também que “você é o dono do seu dinheiro e não o contrário”.

Há exemplos de pessoas que tem um rendimento de R$ 2.000 reais, mas que conseguem viver de forma harmoniosa com suas finanças, pois tem domínio sobre suas capacidades financeiras. Já outras que mensalmente recebem R$ 20.000,00 e gastam R$ 30.000,00, vivendo endividadas, angustiadas e tendo que consumir cada vez mais para sustentar os padrões sociais.

Até o próximo artigo…

UBUNTU!

*artigo publicado originalmente no Blog amigo do dinheiro do Banco PAN

Dirlene Silva

Dirlene Silva

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Economista, Mestre em Gestão e Negócios, Consultora de Inteligência Financeira, Coach e Mentora
https://www.linkedin.com/in/dirlenesilva/

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