Ausência materna na minha vida

Ausência materna na minha vida

Meu nome é Nataly, mãe do Heitor e da Heloísa,  feliz esposa do Elton, e criadora do blog topmaesdesucesso.com

Há quem diga que os pais “homens” têm a tendência de se ausentar, de se aventurar. Existem muitas histórias em que o pai vai embora e a mãe cuida das suas crianças sozinha. No meu caso a história é diferente.

Minha mãe foi embora de casa e eu fiquei com o meu pai.

Meus pais separaram quando eu tinha apenas 2 anos de idade. Não lembro de absolutamente nada, nem como meus pais se sentiam, nem como tudo aconteceu, nem como eu fiquei e muito menos como eu me sentia sem a presença da minha mãe até aquele momento. 

Acredito que quando passamos por algo muito difícil, nosso cérebro tem a tendência de apagar as coisas ruins ou talvez porque eu tive a sorte de ter acompanhamento psicológico e de uma família feliz e sorridente por natureza. 

Minha mãe foi embora de casa e eu fiquei com o meu pai. Ele foi meu pai e minha mãe. Hoje, eu imagino como deve ter sido desafiador pra ele, pois ele passou pelo processo difícil de uma separação conjugal e assumiu a presença materna. No grato papel de mãe que tenho hoje, posso imaginar o quão forte ele foi.

Mas eu recordo muito bem o quanto nós nunca estivemos sozinhos. Minha infância, ao contrário do que parece, nunca foi triste. Eu sempre estive rodeada de primos e de toda a nossa família. Meus avós sempre estiveram presentes e ajudaram muito meu pai naquela época, meus tios e tias também foram fundamentais. Nunca nos deixaram desamparados. Quando meu pai saía pra trabalhar, eu ficava aos cuidados dos meus avós. E era uma bagunça, no melhor sentido da palavra.

Lembro que na casa dos meus avós tinha muitos primos presentes, então brincávamos o dia inteiro. E só parava quando minha avó avisava que o meu pai chegaria para me buscar. Ele sempre voltava ansioso pra me ver e nunca, repito nunca, economizou demonstrações de carinho e amor.

Tenho nas minhas recordações também as férias que passava na casa das minhas tias. Essas são algumas das minhas melhores recordações afetivas. Me lembro também de passar no psicólogo toda a semana e curiosamente era um passeio que eu amava, talvez porque antes da consulta eu brincava e me divertia muito com a secretária do consultório, então pra mim nada foi muito difícil mas com certeza para o meu pai foi.

Mas, mesmo perante tudo isso, não lembro de ver ele triste, chorando, se lamentando. Ele sempre foi muito espirituoso. Conhecemos juntos todos os parques infantis de São Paulo, e possivelmente herdei dele o sorriso e alto astral.

Agora, confesso a vocês a parte que me tocava de maneira estranha, era o  famoso Dia das Mães na escola. Isso foi muito doloroso lidar. Mas, eu  nunca deixei de fazer o presentinho na escola, fazia com todo capricho e levava com todo amor para o meu pai.

Quando cheguei na adolescência, passei o que provavelmente muitas de nós passamos, o  excesso de zelo e ciúmes do pai. Esse foi o período que  mais clamei por uma mãe. Estava me apaixonando, ficando mocinha e meu corpo mudando. Com quem poderia falar sobre essas coisas? Mesmo com toda ajuda da minha avó, eu senti muita falta de uma mãe.

Ela me procurou aos 6 anos de idade e pediu perdão. E a perdoei de todo o meu coração. Passamos alguns finais de semana juntas, mas não era algo que eu me sentia tão à vontade.

Tive até uma certa rebeldia de adolescente, e nas minhas consultas com a psicóloga, ela disse ao meu pai:

Ela pode tomar dois rumos:  Uma mulher doce e amável ou rebelde e amarga.

As minhas conquistas como formação acadêmica, meu primeiro apartamento e hoje empreendendo, só me faz acreditar que valeu a pena não ter me vitimizado. Me sinto forte em todos os papéis que a vida me presenteou. Em ser mãe dos amores da minha vida, esposa e dedicada empreendedora e filha.

Graças aos cuidados do meu ai com a minha criação, me tornei uma mulher doce e amável. O meu maior sonho era em me casar e constituir uma família, ter uma carreira profissional e independência financeira.

A minha base religiosa, a minha fé em Deus e toda minha dedicação, fez com que eu ressignificasse a ausência da minha mãe e passasse por cima de qualquer julgamento. E com a maturidade, entendi que tudo está no lugar que tem que estar e no tempo de Deus.

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5 Comentários

  1. Nívea Galvão
    11 meses atrás

    Parabéns Nati, mulher linda de sorriso encantador e mãe maravilhosa você se tornou !

  2. Jessica Emiliano
    11 meses atrás

    Amiga, tenho tanto orgulho de vc! ❤️

  3. Keitty gomes
    11 meses atrás

    Parabéns Nah, a anos acompanhando de pertinho essa sua jornada, e sei o quanto vc é realizada, que essa sua vontade de viver!
    Tenho mto orgulho de vc!

  4. Vânia de Araújo Santos
    11 meses atrás

    Parabéns guerreira ..te amamos muito

  5. Nataly
    11 meses atrás

    Obrigada pelo carinho de todos vocês ❤️

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